A Curva Editorial surgiu em 2018 com a publicação de Poemas para o seu baile, projeto piloto de tradução visual para poesia musicada. Com este projeto os integrantes da editora buscaram iniciar um caminho para repensar a prática editorial, revendo tempos de produção e o estatuto do trabalho técnico como uma forma de criação coletiva. Com tais pressupostos editamos O diário frágil, livro com tiragem esgotada e encadernação artesanal realizado a partir de oficinas para editores e não editores via Fundo Municipal de Cultura.

Desde então, em diferentes medidas, buscamos experimentar a produção editorial modificando menos a materialidade convencional e mais a convencionalidade da produção. Na Curva há uma seleção de obras, trabalhamos majoritariamente com literatura e textos das artes e ciências humanas. Para o nosso trabalho há preocupação com o que se publica e com a materialidade final do livro, mas a forma de editar cada obra é pensada individualmente. Isto implica em considerar o trabalho de edição uma forma relativamente aberta à pesquisa. Relativamente porque há etapas comuns a serem realizadas, mas cada obra abre a possibilidade de processo específico, consoante com o que o original traz e o com projeto final.

Nossa perspectiva é de que coletivamente podemos vislumbrar caminhos específicos de trabalho em consonância com o conteúdo de cada obra e também com os desejos de cada autor, sempre levando em consideração que nosso fazer tem técnicas – históricas – que, se realizadas no ritmo industrial viram meras repetições de ações, porém, feitas na perspectiva de criação de um projeto próprio para cada obra, torna-se um fazer criativo e coletivo.

Em 2026 a Curva começa um novo ciclo. Com equipe ampliada, projetos e competências complementadas, buscamos agora nos fazer mais presentes no campo editorial, mostrando nosso trabalho e criando diálogos com outros editores criadores.