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Da Macega à Makaia: tramas de relação do falar negro de terreiro é o primeiro livro de Pai Ricardo de Moura, zelador da Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente (CCPJO) e mestre da Formação em Saberes Tradicionais na Universidade Federal de Minas Gerais desde 2016.
É um primeiro fruto editorial que nasce do desejo do autor de ampliar o alcance do que ele denomina como falar negro de terreiro - pensamento que ele começa a compartilhar, tão generosamente, por meio de uma obra densa e tão significativa que conduz quem a lê em um gesto contra-colonial de travessia, desbravando a Macega do paradigma moderno-colonial rumo à Makaia que comporta, alimenta, constrói e mantém através do tempo saberes, modos de vida e relação nas afroperiferias de nosso país.
E é essa multiplicidade que o autor ecoa quando afirma: "Quando eu paro pra falar, pra escrever um livro, eu quero que as pessoas deem conta de pensar nossa tecnologia, nossa sabedoria. Quem está escrevendo este livro não é um cara formado em Letras, é um pai de santo pegador de espírito, que é indivisível, mas é compartilhável. Não sou um escritor de livro, sou um pai de santo, certo? Errado. Eu sou um pai de santo, e agora sou um escritor de livro também."
"Em seu livro da Macega a Makaia, Ricardo me fez pensar Platão e seu mito da caverna. Sim, porque o que ele nos propõe é o despir das nossas verdades, nos permitindo ver além das sombras projetadas que imaginamos ser a verdade única. Ele nos provoca a ir além de nossos muros, a buscar pontes e por elas transitar. Ao nos permitir ir da Macega à Makaia, ele orgulhosamente desnuda para nós a realidade afro-periférica, rica em tradições, histórias e ensinamentos. Ele tem consciência do muito que é esse território, e sentimos em sua fala o que ele sente ao reconhecer esse lugar como espaço de pertencimento coletivo e ancestral, ainda que muitos dos que ali pisam só pisem.
Espero que você, leitor, possa adentrar nesse mundo despido de seus preconceitos e que, ao sair, saia mais completo e fortalecido. A travessia da Macega trazida na escrita de Ricardo de Moura é a travessia de um mundo fechado, ainda com espaço a ser explorado, só conhecido por quem está imerso na ideia de tradição. [...] E a Makaia nos cura, nos alimenta em nossa subjetividade e nos acolhe em esperanças de mudanças e transformações."
Dra. h. c. Makota Celinha
"Relacionar-se requer fricção, lembrará Pai Ricardo, senão se desliza sem engaste e sem quilombo possível. As palavras são aqui maceradas com muito movimento, seiva de árvore, dente de bicho e carne de filosofia. Recomenda-se chegar devagar, pois há uma densa história que povoa o que segue, assim como um arco de reflexões que requerem o tempo e o silêncio que caracterizam o espanto de um encontro com as nossas águas íntimas."
Tiganá Santana
Coordenação Geral: Pai Ricardo de Moura
Coordenação do Projeto e da Pesquisa: Nicole Faria Batista
Equipe de Pesquisa: Ana Paula Santos Rodrigues, Bruni E. Fernandes, Gabriel Ricardo de Moura, Lânia Mara Silva, Michelle Araújo Pessoa e Nicole Faria Batista
Coordenação Editorial e Preparação de originais: Bruni E. Fernandes
Assistência Editorial: Nicole Faria Batista
Projeto Gráfico: Bruni E. Fernandes
Revisão e Diagramação: Alice Bicalho
Ilustração de Capa: Pai Ricardo de Moura
Ilustração de Guarda: Rebeca Prado
Ilustrações do Miolo: Pai Ricardo de Moura (p. 15, 16, 23, 24, 57, 58, 85, 86, 115, 116, 147, 148); Bruni E. Fernandes (p. 7, 8, 153, 154
Apoio e Financiamento: Itaú Cultural, por meio do Edital Rumos 2023-2024
Agradecimentos: Mãe Sheila Moura, André Brasil, Diego Vasconcelos, Pedro Aspahan, Ana Luisa Silva Lopes, Laura Augustha, Mariana Coli de Oliveira, Patrick Arley e Rebeca Prado.
Dimensões: 14 cm x 21 cm
Páginas: 188 p.
Acabamento: Brochura
ISBN: 978-65-980671-3-7
Edição: 1ª (2025)
Data de publicação: 14/9/2025
Idioma: Português brasileiro (pt-BR)
Crédito: Patrick Arley, ©2025
Pai Ricardo de Moura (1970-) coordena a Associação de Resistência Cultural Afro-Brasileira Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente, terreiro de umbanda com cerca de 80 anos de atuação no território na Pedreira Prado Lopes, na Lagoinha, em Belo Horizonte (MG). Herdeiro da Matriz Angola-Bantu, é Rei Congo da Guarda de São Jorge do bairro Concórdia (BH) e foi reconhecido como Mestre da Cultura Popular de Belo Horizonte em 2020. Estabelece importantes incidências em espaços políticos e institucionais de relevância para os direitos dos povos e comunidades tradicionais, atuando como professor, palestrante e orientador de diversas políticas públicas para os povos negros e de terreiro. Desde 2016, atua como professor convidado no âmbito da Formação Transversal em Saberes Tradicionais. É candidato à obtenção do título de Doutor em Comunicação por Notório Saber pela UFMG.
É cocoordenador da Matuta - Comunidade de Pesquisa em Terreiro (CCPJO/UFMG/CNPq), fundada em 2024 por ele e filhas/os de santo pesquisadoras/es da CCPJO, confluindo saberes tradicionais e o falar negro de terreiro em diálogo com a academia.
Em 2025, publicou seu primeiro livro, intitulado Da Macega à Makaia: tramas de relação do falar negro de terreiro, projeto desenvolvido com apoio do Edital Rumos 2023-2024 do Itaú Cultural. A obra foi construída durante os anos de 2024 e 2025, contando com equipe de pesquisadoras/es vinculados à Matuta e filhas/os de santo da CCPJO. Nesse primeiro livro, o autor fortalece também nesse espaço - o livro - o que tem praticado e construído, de forma comunitária e profundamente relacional, durante uma vida inteira de trabalho e diálogos a partir de seu território e de seu lugar.